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"Vamos a Travassos, freguesia afamada pelas muitas e importantes obras
de filigrana que ali se fabricam e veremos que neste género de ourivesaria
é uma das primeiras terras do reino, pelo que tem reputação
merecida." (Paixão Bastos, 1907)
A existência de S. Martinho de Travassos aparece documentada a
partir de 1059, com o topónimo Travaços, que se manterá
até ao séc. XVIII. No entanto, encontrámos vestígios
arqueológicos no aro da freguesia, o que faz remontar a ocupação
pelo menos à Idade do Ferro.
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Os ourives de Travassos acreditam serem descendentes de homens como os que
no Castro de Lanhoso fizeram os três torques com aplicações
em filigrana. Esses homens terão, posteriormente, descido dos montes, dando
origem à povoação de Travassos, trazendo, com eles, a técnica
de trabalho do ouro.
Travassos é uma das 29 freguesias do concelho da Póvoa
de Lanhoso, localizada a sete quilómetros da sede do concelho.
É uma aldeia disposta em anfiteatro na margem direita do rio Ave,
em socalcos trabalhados pelo Homem.
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Apesar da decadência que têm vindo a sofrer os trabalhos artesanais,
as actividades principais da população continuam a ser a agricultura
e a ourivesaria. Das cerca de cinco dezenas de oficinas artesanais de ourivesaria
que existiam em Travassos em meados da década de 60, cerca de 40 estão
ainda em funcionamento.
Tradicionalmente, quase todas as famílias tinham, a par dos proveitos
proporcionados pela agricultura, alguns rendimentos do trabalho de ourives, que
executavam muitas vezes só aos "serões" ou nas épocas
baixas dos trabalhos agrícolas.
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Algumas grandes empresas enriqueceram outras tantas famílias e
contribuíram com a sua riqueza para o desenvolvimento da localidade.
Foram essas empresas que ajudaram a criar um posto de correio devido à
necessidade de enviar "obra", com valores declarados, para o
Porto.
Em termos sociais, a comunidade criou também eventos muito próprios,
como a festa de Santo Elói, padroeiro dos ourives (que se realiza
anualmente no dia 1 de Dezembro), ou a reunião de toda a comunidade
na Eira de Carreirós, uma eira comunitária, onde todos os
ourives levavam as suas candeias de petróleo e, aí, procediam
conjuntamente à sua limpeza e preservação para a
época em que não necessitariam delas (durante os três
meses de Verão).
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