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"O oleiro, o ourives na filigrana, o feitor de jugos principalmente,
para citar só os três, revelaram-se os mais seguros e fiéis
adeptos da arte nacional. Êles nos conservaram o alfabeto de formas
decorativas mais rico, mais variado, mais puro, mais genuíno que
uma nação pode apresentar." (Joaquim de Vasconcelos,
1908)
O Norte de Portugal é, desde há séculos, o local
preferido pelos ourives para instalarem as suas oficinas, o que poderá
estar relacionado com a existência de minas de ouro nesta região,
algumas exploradas pelo menos desde a Romanização.
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A riqueza aurífera do Noroeste da Península Ibérica
é testemunhada pelos relatos de autores clássicos e confirmada
pelos vestígios arqueológicos de antigas explorações
mineiras, espalhadas um pouco por todo o Norte do País. Autores
como Estrabão e Plínio falam da abundância de ouro
nos rios da vertente Atlântica como o Tejo, Douro, Lima e Minho.
A abundância de metais preciosos permitiu que aqui se desenvolvesse
uma rica ourivesaria, fazendo destas terras uma das regiões privilegiadas
de todo o Mundo Antigo.
A técnica de trabalhar o ouro, que remonta à nossa proto-história,
persiste ainda hoje, em Travassos, com um cunho marcadamente artesanal.
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Desconhece-se a origem desta actividade nestas paragens, embora se encontrem
em certos locais indícios de que Travassos é a origem da
filigrana em Portugal.
A existência dos três torques filigranados de Lanhoso constitui
argumento poderoso nesse sentido, embora o debate académico não
esteja ainda encerrado.
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Há duas hipóteses, ambas carecendo de investigação,
para a justificação do desenvolvimento da ourivesaria nesta
região. Seria o Ave um rio com areias auríferas, já
que as freguesias de Travassos e Sobradelo da Goma (concelho da Póvoa
de Lanhoso) e Castelões (concelho de Guimarães) se dispõem
nas suas margens? Ou será um túnel existente em Travassos
(que se pensava ser uma mina de água desactivada, mas que se descobriu
possuir respiradouros), afinal uma antiga mina de exploração
aurífera?
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