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A tradição ouriveseira criou técnicas e vocábulos
próprios que só aqui se utilizam. A maioria das empresas
é de tipo familiar, onde a aprendizagem é feita a partir
dos 13 ou 14 anos. Por vezes, encontram-se três gerações
de uma só família dedicadas à mesma arte. Mesmo nas
oficinas com um certo grau de modernização mantêm-se
as mesmas técnicas de trabalho, porque apenas se introduziram máquinas
para reduzir o esforço dispendido em actividades que eram inteiramente
manuais.
Quando entramos numa oficina de ourives, tudo é escuro, devido
ao fumo da forja, à chama do maçarico e ao facto de o ouro
ficar escuro à medida que é trabalhado.
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Feito o trabalho, as peças são mergulhadas numa solução
de sal e ácido clorídrico (vão a branquear) e retomam
o tom dourado.
Aqui se produzem peças únicas da nossa ourivesaria tradicional.
São, na sua maior parte, objectos de uso pessoal - de adorno e/ou
cariz religioso e a técnica é essencialmente a da filigrana
que pode ser de aplicação (para decorar outras peças)
ou de integração (em que a peça é inteiramente
feita em filigrana a partir de uma armação, que constitui
o esqueleto da peça).
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A Filigrana é uma técnica de trabalhar o fio de ouro. É
um processo moroso e delicado, já que se trata de obter um fio
de ouro da finura de um cabelo a partir de uma barra com a espessura de
um centímetro. Para obter o fio, a barra é comprimida sucessivamente
através de orifícios cada vez mais pequenos: primeiro, passa
pelas fieiras e pelos damasquilhos, nos bancos de puxar o fio; de seguida,
no tabuleiro e no carrinho, o fio passa através de outros tipos
de damasquilhos e de rubis. Quando atingida a espessura desejada, dois
fios são torcidos manualmente entre duas tábuas, originando
um cordão serrilhado que, após ter sido 'recozido' lentamente
ao fogo, dará origem à meada onde são cortados os
pequenos fragmentos que irão ser trabalhados na chapa da banca
do artista.
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Este fio delicado, preso pela pinça ou buxela do ourives é
curvado e enrolado segundo o seu gosto, dando origem a espirais, Ss ou
rodilhões, que se harmonizarão em peças originais.
A filigrana de olhete (nome derivado do orifício no centro de cada
espiral de fio de ouro) é produzida exclusivamente em Travassos
e Sobradelo da Goma.
Quando confrontado com a diferença entre a filigrana de Gondomar
e a de Travassos, qualquer artífice garante que a primeira tem
os rodilhões mais cheios e cerrados, não sendo tão
leve e aberta como a de Travassos. Para um artífice, não
saber ver a diferença "é como não reconhecer
um filho".
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