A ideia da criação de um museu da ourivesaria em Travassos data dos anos 80 e resulta dos esforços de um ourives - Francisco de Carvalho e Sousa - que ao longo de 50 anos de actividade foi recolhendo espólio e documentação, formando uma colecção importante e que é a parte principal do núcleo inicial do Museu.

 
 
 

Desta colecção particular podemos destacar:

  • objectos em ouro que vão desde um diadema da Idade do Cobre, três torques castrejos, um brinco romano, brincos medievais e uma grande quantidade de peças de filigrana, brincos, argolas, cruzes, contas de colar, relicários, etc.;
  • objectos de prata, principalmente terços e “olhos de Santa Luzia”, alguns dos poucos trabalhos feitos em prata nesta zona;
 
 
 
  • utensílios destinados ao fabrico das peças de ourivesaria - cunhos, cortantes, cadinhos, cacifos, pedras e pontas de toque, frascos de ácidos e reagentes, balanças de ourives, entre muitos outros. É de salientar que muitos dos utensílios eram, e alguns ainda o são, fabricados pelo próprio ourives que os utilizava depois;
  • mobiliário e equipamento de oficinas - bancas de trabalho, máquinas de cilindrar o ouro para fazer chapa ou fio, os bancos de puxar o fio, foles da forja;

 

 
 
 
  • livros de registo de clientes, cartões, facturas e recibos de empresas de ourivesaria, livros de esboços e desenho de peças de filigrana, livros de fumos, correspondência, punções com marcas de ourives, etc.;
  • bibliografia sobre a região minhota e a ourivesaria.
O edifício do Museu engloba duas oficinas de épocas diferentes já desactivadas fazendo parte da Casa de Alfena. A poucos metros existem outras duas oficinas, uma ainda em funcionamento, e outra, que serve actualmente de corte de gado, cuja antiguidade pode ser atestada pelo facto de a luz das suas janelas, essencial ao trabalho do ourives, ter sido tapada por um portal que ostenta a data de 1742.
 
 
 
Existe um rico património arquitectónico espalhado pela freguesia de Travassos onde existem ainda em funcionamento quatro dezenas de oficinas, embora até à década de sessenta houvesse cerca de 50 oficinas. A desactivação de oficinas deu origem a um vasto espólio material que se encontra disperso e necessita de ser preservado, bem como todo aquele que foi posto de lado pelo seu desgaste ou pela substituição por alfaias mais modernas.
 
 
 

Para além de tudo que é evidência material da arte de trabalho do ouro, existe um saber-fazer ancestral que ainda se mantém mas que está permanentemente ameaçado pelo "progresso" e pelas novas técnicas que aceleram e facilitam o trabalho e aumentam o lucro, ainda que a arte fique delapidada. Ligada a esta actividade há toda uma memória colectiva visível num vocabulário próprio e original, dizeres, cantares, ritos e rituais religiosos característicos.